Esta aula toma, como referência a obra "Prática educativa: como ensinar" de Antoni Zabala.
Referência: ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998.
Estudaremos principalmente o Capítulo 1.
Para aprofundamento, pode-se recorrer ao livro na íntegra, em que os demais capítulos abordam mais detalhadamente sobre cada uma das variáveis que configuram a prática educativa.
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Para Zabala, a prática educativa se materializa e pode ser explicada a partir de elementos que a compõem: as variáveis que configuram a prática educativa. A depender de como essas variáveis se materializam, a prática de ensino pode ser uma ou outra.
A prática educativa ocorre a partir da mobilização do saber docente em momentos distintos. Um primeiro momento é o das ideias que o docente forma sobre a função social do ensino e sobre a aprendizagem discente.
A função social do ensino é idealizada a partir de uma fonte sociológica de conhecimento do docente. Quer dizer, se embasa naquilo que o docente sabe sobre a sociedade e a necessidade do ensino para ela. O que é a sociedade, de onde ela vem, para onde ela vai? A pergunta a ser respondida sobre a função social do ensino é "porque ensinar?".
Função social do ensino: "porque ensinar?"
A compreensão do professor sobre a função social do ensino orienta suas decisões sobre os objetivos e os conteúdos do ensino. Esses, na vez, saem do campo da idealização e alcançam o campo da decisão. Com isso queremos dizer que o docente não decide sobre a função social do ensino, mas decide sobre os objetivos que irá percorrer e sobre os conteúdos que irá ensinar. Essa decisão, contudo, se embasa em outra fonte de conhecimento, a fonte epistemológica: sobre o conhecimento e sua relação com a prática educativa. O que é o conhecimento, de onde ele vem, para onde ele vai? A pergunta a ser respondida sobre os objetivos e os conteúdos do ensino é "o que ensinar?".
Objetivos e conteúdos: "o que ensinar?"
De outro lado, a concepção de aprendizagem que o docente tem, sobre os processos de aprendizagem que podem ocorrer com o discente, é embasada na fonte psicológica, ou seja, naquilo que o docente sabe sobre o comportamento humano. O que é, de onde vem e para onde vai o comportamento? A pergunta a ser respondida sobre a aprendizagem discente é "como aprender?".
Aprendizagem: "como aprender?"
Idealizar ou conceber a aprendizagem discente é essencial para a decisão racional sobre os critérios de ensino. Tais critérios, por sua vez, são também baseados numa fonte didática, quer dizer, no conhecimento de como ensinar o conteúdo. O que é, de onde vem e para onde vai o ensino? A pergunta a ser respondida sobre os critérios de ensino é "como ensinar?".
Critérios de ensino: "como ensinar?"
Portanto, as ideias sobre a função social do ensino e a concepção de aprendizagem que o docente tem embasam momentos de decisão sobre o os objetivos, os conteúdos e os critérios do ensino. Esses elementos, então, são essenciais para a constituição do modelo teórico do ensino (plano de ensino) e a decorrência da prática educativa (de ensino).
Tanto o modelo teórico quanto a prática educativa são constituídos das mesmas variáveis, com a diferença que ocorrem condicionantes contextuais que limitam a prática educativa e, portanto, a reprodução exata do modelo que é desenvolvido pelo docente. Vejamos o diagrama desenvolvido por Zabala (1998, p. 23) para sintetizar as variáveis que configuram a prática educativa.
Aqui, vamos tomar a liberdade de denominar variáveis operatórias aquelas que são planejadas na forma de modelo teórico e materializadas enquanto prática educativa as seguintes variáveis:
a) Sequência de atividades (ou sequência didática): a relação sequencial de procedimentos a serem realizados com objetivos educacionais específicos (atividades didáticas). Essas atividades podem ser exposição, demonstração, aplicação, exercício, debate, jogo, estudo, simulação, etc.
b) Relações interativas: as mediações que ocorrerão entre aprendiz e objeto do conhecimento. A interação mínima para o aprendizado é do sujeito com o objeto de conhecimento. Quer dizer, o aprendiz deve interagir com aquilo sobre o que se pretende aprender. Contudo, no ensino, sempre ocorre algum tipo de mediação nessa interação. Ou seja, a relação entre sujeito e objeto ocorre intermediada por alguém que tem a tarefa de facilitar a aprendizagem: o docente. Para além do docente, outros elementos também podem intermediar essa relação, como são autores de ideias, colegas discentes, atores das comunidades de prática e técnicos administrativos da prática de ensino. A cada atividade didática ocorre algum ou alguns tipos de relações interativas a serem modeladas por quem ensina.
c) Organização social: a maneira como os sujeitos que participam da prática educativa irão se organizar e interagir para a realização das atividades. O ensino pode ocorrer individualmente, quando o docente dirige sua ação a um único discente; bem como pode ocorrer para grupos de discentes e, até, com grupos de docentes. Quando o ensino ocorre em grupos, o docente pode voltar suas ações ao grande grupo de discentes, bem como pode separá-los em grupos menores. Cada caso de organização social na prática de ensino traz vantagens e desvantagens em relação às atividades didáticas em que ocorrem. Por exemplo, o ensino individualizado é vantajoso para a avaliação da aprendizagem e para a definição de práticas de ensino mais adequadas ao perfil discente. Por outro lado, a individualização dificulta a aprendizagem de diversas questões que carecem de maior interação social. O ensino para o grande grupo é vantajoso por garantir maior eficiência no que se refere à quantidade de discentes atingidos, bem como maiores possibilidades de interação social. Contudo, esse formato acaba por dificultar a avaliação da aprendizagem individual e a adequação da prática de ensino ao perfil discente. Pode-se dizer que a formação de grupos, fixos ou variados, resolve uma parte de problemas de cada um desses extremos da organização social do ensino, mas também que apresenta suas limitações própria. Já no macrocontexto do ensino, os grupos podem ser seriados ou multiseriados, quando se tenta nivelar os discentes pelo nível de formação ou quando se pretende misturá-los entre esses níveis, respectivamente.
d) Espaço e tempo: o planejamento de como o espaço e o tempo serão gerenciados. Considerados recursos essenciais, a forma como o espaço e o tempo são usados implica no sucesso ou insucesso da prática. Os conteúdos, os objetivos e as atividades didáticas podem ou não serem adequadas ao espaço e ao tempo que se têm para trabalhar. O inverso é igualmente verdadeiro, ou seja, as escolhas sobre espaço e tempo podem ou não serem adequadas a determinadas atividades didáticas. Uma atividade de observação experimental que carece de manipulação química, por exemplo, pode ser inadequada de ser realizada em uma sala de aula comum, carecendo de um laboratório preparado. Ou determinado aprofundamento teórico em relação a um dado assunto, por exemplo, pode não ser adequado ao tempo reservado para a aula no ambiente escolar.
e) Organização de conteúdos: se refere a como os assuntos são organizados cronológicamente e interagem entre si. Sobre o que se irá abordar primeiro, o que virá em seguida, que tipo de conclusão haverá? O conteúdo pode ser organizado em relação à cronologia do ensino conforme diferentes princípios: pode ir do mais simples ao mais complexo, do mais abrangente ao mais específico, do mais antigo ao mais novo, etc. Além disso, o conteúdo pode ser abordado a partir de diferentes dimensões, tais como são os factuais, os conceituais, os procedimentais e os atitudinais. Desse modo, os conteúdos também podem ser organizados de acordo com essa tipologia, a depender dos objetivos do ensino.
f) Materiais curriculares: o material aplicado ao desenvolvimento curricular, ou seja, para praticar o que foi planejado. Que tipo de material será adequado ou necessário para a realização dos procedimentos previstos? Que material de uso do docente? Que material de uso do discente? Que tipos de estruturas físicas devem comportar a prática educativa? Salas, laboratórios, ambientes virtuais? Que sujeitos devem fazer parte do processo além do docente? Exemplos: quadro, datashow, computador, caderno, livro, lápis de cor, régua, sala de aula, laboratório, quadra, biblioteca, trilha, museu, monitor, técnico, bibliotecário, especialista, etc.
g) Critérios de avaliação: a maneira como se irá avaliar a prática educativa. O mais importante é compreender que quem faz avaliação do ensino é o docente, e não o discente. Mesmo que esse se valha da avaliação do discente para fazer sua própria avaliação, em último caso, quem avalia ainda é o docente. E o docente possui três motivos para avaliar: diagnóstico, para compreender como está se dando a prática educativa e, porventura, promover mudanças nela; formativo, para fornecer informações ao discente, que podem auxiliar em seu processo de aprendizagem; e sancionador, para aplicar consequências quanto ao percurso formativo do estudante (reforço, recuperação, exame, aprovação/reprovação). Contudo, para alcançar esses fins, a avaliação deve ter um objetivo (o que avaliar), que pode ser o aprendizado discente, o comportamento discente, o material curricular, o plano de ensino, bem como a própria ação docente. Também deve ter um método (como avaliar), que definirá tanto os métodos de registro de informações quanto o tratamento que essas informações receberão (qualitativo, quantitativo). Importa compreender que prova ou trabalho escolar, por exemplo, não são avaliações da aprendizagem; são, sim, atividades didáticas, que servem a algum fim educacional. Contudo, prova e trabalho podem ser bem usados para gerar informação relevante para a avaliação da aprendizagem.
Para revisar o que apredeu até aqui, assista a esta aula sobre as variáveis que configuram a prática educativa:
A compreensão das variáveis que formam a prática educativa se faz relevante no sentido de analisar essa prática e possibilitar atividade crítico-reflexiva sobre ela. Sem a compreensão dessas variáveis, as possibilidades de sucesso da prática educativa diminuem na medida em que a ação docente ocorre a partir da intuição em vez do raciocínio.
Responda a que variável da prática de ensino cada uma das seguintes frases se refere.
a) Acione o botão "Sortear frase" para obter uma frase a classificar;
b) Em seu caderno, anote apenas o número da frase e sua resposta (classificação) para ela;
c) O professor admitirá um tempo para a atividade. Tente classificar o máximo de frases que conseguir.
Por exemplo, a frase: "a explicação será organizada a partir do primeiro acontecimento histório até o mais recente". Classifico como sendo referente à variável "organização do conteúdo".
Observação importante: algumas das asserções podem ser classificadas como referentes a mais de uma variável da prática educativa. Porém, com fins didáticos, aqui identificamos a penas uma variável que aparenta estar mais evidente em cada asserção. Desse modo, o fato de você ter dado alguma resposta diferente não implica, necessariamente, na resposta estar errada.
Asserções:
As atividades extrapolaram o tempo da aula, que era de 50 minutos.
O plano é fazer a aula invertida, ou seja, primeiro pedir que estudam para, depois, expor sobre o conteúdo.
Ocorreu a mistura de estudantes de diferentes turmas para que os mais avançados pudessem ensinar os que ainda não sabiam muito.
Primeiro, explicou-se sobre a teoria para, depois, demonstrar a resolução de um problema.
O ensino deve servir para promover a solidariedade social, em vez de preparar os indivíduos para competirem entre si.
O plano deve conter os elementos essenciais do ensino.
A sociedade humana é a relação harmoniosa entre indivíduos para fins de que se desenvolvam e sobrevivam ao ambiente.
O conhecimento é o conjunto de saberes objetivos e compartilhados pelas pessoas.
O comportamento das pessoas pode ser inato ou adquirido ao longo da vida, com base no que elas enfrentam.
O ensino deve focar na abordagem de um número reduzido de conhecimentos por vez, para que não sobrecarregue as capacidades de aprendizagem discente.
Na aula, além de interagir com o professor, os estudantes puderam conversar com um profissional da área.
Pretende-se verificar se houve a aprendizagem a partir de um questionário respondido pelos estudantes.
A aula aconteceu e o que planejamos foi colocado em prática.
Fomos para a quadra para, com uma brincadeira de corriga, aprender sobre velocidade média.
As pessoas aprendem conforme se mostram capazes de resolver problemas que antes não conseguiam resolver.
Planejou-se que os estudantes fossem atendidos individualmente, cada qual em um horário.
"Compreender como se dão as interações ecológicas entre os seres vivos" é o que se pretende com a aula.
Ao tentar aplica o plano, a situação encontrada foi muito diferente do que se imaginava.
Pretende-se que, além do professor, os estudantes possam contar com a ajuda de seus colegas de equipe.
Primeiro, vamos abordar sobre a célula para, depois, compreender quais são e para que servem as organelas.
Compreendemos a necessidade de separar mais tempo da aula, uma vez que os estudantes demoram para realizar a atividade proposta.
Ensinar é mediar a relação entre o sujeito e o objeto do conhecimento, de modo a facilitar a aprendizagem.
Nesse curso, aprederemos sobre biomas terrestres e suas características.
A aula teve início com a teoria e, depois, engajamos em conhecer os procedimentos e as atitudes da prática.
O laboratório de informática será usado para a realização de pesquisas.
A aula foi planejada para corresponder a duas horas-aula, ou 100 minutos.
Respostas:
Tempo da prática educativa
Sequência de atividades do modelo teórico
Organização social da prática educativa
Sequência de atividades da prática educativa
Função social do ensino
Modelo teórico / critérios de ensino
Fonte sociológica
Fonte epistemológica
Fonte psicológica
Critérios de ensino
Relações interativas da prática de ensino
Critérios de avaliação do modelo teórico
Prática de ensino
Espaço da prática educativa
Concepção de aprendizagem
Organização social do modelo teórico
Objetivo
Condicionantes contextuais
Relações interativas do modelo teórico
Organização de conteúdos do modelo teórico
Critérios de avaliação da prática educativa / tempo do modelo teórico
Fonte didática
Conteúdo
Organização de conteúdos da prática educativa
Espaço do modelo teórico
Tempo do modelo teórico