A referência desta aula será o livro "Teorias de Aprendizagem", de Marcos Antônio Moreira.
Referência: MOREIRA, Marco Antonio. Teorias de aprendizagem. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2022.
Mais especificamente, estudaremos a Introdução e o Capítulo 14 (A teoria social cognitiva de Bandura).
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Marco Antônio Moreira, em seu livro "Teorias de Aprendizagem", nos explica que o século XX foi marcado por três correntes filosóficas distintas no campo das teorias de ensino e de aprendizagem: o behaviorismo, o cognitivismo e o humanismo. Todas elas se mostraram uma forma de reação aos limites apresentados pela psicologia mentalista, bem como aos limites de umas em relação às outras.
O behaviorismo (ou comportamentalismo), por exemplo, parecia se ver em apuros ao tentar explicar a complexidade do comportamento humano apenas a partir de variáveis dependentes e independentes. Desse modo, muitos behavioristas lançavam mão de conceitos que se dirigiam a variáveis intervenientes, ou seja, a construções simbólicas que ocorrem no organismo no momento entre a apresentação do estímulo (variável independente) e a observação da resposta (variável dependente). Essas variáveis intervenientes começaram, então, a ganhar importância no campo de estudos da psicologia.
A principal variável interveniente apontada como dificultadora dos estudos behavioristas seria, então, o pensamento. Desse modo, surge o cognitivismo, que é a corrente de estudos sobre o pensamento e seu principal elemento constituinte, a linguagem. Ademais, o movimento cognitivista se aproveita do avanço das ciências da computação para descrever o comportamento a partir da lógica dos computadores e da inteligência artificial. Desse modo, o ser humano funcionaria a partir da recepção de informações sensoriais do ambiente (input), do processamento dessas informações pelo pensamento (codificação, armazenamento e recuperação) e das ações que seriam resultantes desse processo (output na forma de comportamento).
Posteriormente, tanto o comportamento quanto a cognição passam a perder lugar para o ambiente, como principal fator a ser estudado no campo do ensino e da aprendizagem. Essa corrente filosófica, que centraliza o ambiente e as condições materiais e psicológicas para a realização do potencial humano, ficou conhecida como humanismo.
Para cada uma dessas filosofias, ou visões de mundo, houve a fundamentação de teorias de aprendizagem de características distintas. Para os mentalistas, é uma constante que a aprendizagem fosse abordada como o resultado da estrutura e do funcionamento da mente. Aos comportamentalistas, a aprendizagem é considerada como uma variável dependente do meio (independente). Cognitivistas dizem ser, a aprendizagem, decorrente do processamento de informações do meio, a partir da linguagem. Humanistas, na vez, dizem que aprendizagem é um produto sine qua non das possibilidades de expressão do potencial humano.
Moreira nos explica que, dentre as principais teorias e teóricos da aprendizagem que têm alguma expressão no contexto educacional brasileiro, Pavlov, Watson, Guthrie, Thorndike e Skinner podem ser considerados comportamentalistas. Piaget, Bruner, Vygotsky, Vergnaud, Johnson-Laird, Ausubel e Kelly são cognitivistas. Rogers e Paulo Freire seriam humanistas. Ainda que entre essas correntes filosóficas que disputam o campo de estudos do ensino e da aprendizagem, há pensadores e teorias que absorvem características mediacionais de campos distintos. Entre comportamentalistas e cognitivistas, temos Hull, Hebb, Tolman, Gestalt e Gagné. Entre cognitivistas e humanistas há Novak, Gowin, Dewey, Sweller e Bandura. Ademais, podemos dizer que Albert Bandura (1925-2021) seria um pensador mediacional que estaria entre as três correntes, behaviorista, cognitivista e humanista, com a teoria social cognitiva.
Bandura realizava seus estudos no auge da popularidade do behaviorismo radical, de modo que suas ideias não fugiam ao controle do comportamento pelo ambiente. De qualquer modo, Bandura foi um crítico do behaviorismo ao propor que a explicação do comportamento estaria incompleta sem que fosse considerada a variável cognitiva individual. Portanto, Bandura trabalha com a teoria do determinismo recíproco, em que o estudo do comportamento considere as relações que existem entre indivíduo, comportamento e ambiente. Desse modo, Bandura também atuou como um humanista, ao considerar a influência do ambiente para a realização das condições materiais da expressão do potencial humano.
Bandura propôs que o comportamento poderia ser aprendido sem que, necessariamente, ocorresse uma história de reforçamento. Demonstrou sua teoria com um de seus experimentos mais famosos, o Experimento do João-Bobo, em que estudou a origem da agressividade. De modo simplificado, o experimento consistia em crianças que eram colocadas em uma sala cheia de brinquedos. Uma parte delas, no entanto, era submetida a um vídeo em que se via pessoas adultas brincando de modo violento com o joão-bobo que havia na sala, agredindo o boneco. Essas crianças, posteriormente, com frequência, demonstravam o mesmo comportamento agressivo, diferente das crianças que não eram submetidas ao vídeo. Desse modo, Bandura propôs a teoria da aprendizagem observacional, em que os comportamentos se formam por meio da exposição a modelos (pessoas se comportando), processo que recebe o nome de modelação. Nesse processo, as pessoas aprendem novos comportamentos somente ao observá-los (efeito modelador). Porém, para que passem a expressá-los com frequência, seria ainda necessário que associassem o comportamento a consequências sofridas pelo modelo (efeito inibitório/desinibitório) e que o arranjo social tornasse esses comportamentos possíveis e aceitáveis (efeito de facilitação).
De qualquer modo, a modelação só seria possível a partir de subprocessos psicológicos representados pela atenção, pela retenção, pela reprodução motora e pela motivação. Quer dizer, o observador-aprendiz deve se manter atento ao modelo, bem como lembrar dos comportamentos que observou para que possa, assim, reproduzi-los e ter a chance de entrar em contato com suas consequências.
Bandura esteve ativo no momento em que se popularizavam as televisões e o cinema. Pôde, então, compreender que o efeito das mídias de massa era de possibilitação de encontros fortúitos do telespectador com modelos que ele não espera ou não decide encontrar. Assim, ocorre a modelação simbólica, em que as pessoas são condicionadas em massa a se comportarem para o bem (altruisticamente, por exemplo) e para o mal (comportamentos agressivos, por exemplo); em especial, crianças que eram expostas a essas mídias a longo prazo.
Outros dos estudos conduzidos por Bandura foram sobre a percepção de autoeficácia. Bandura pôde notar que perceber a própria eficácia em tarefas seria uma das bases da motivação e da realização humana. Quer dizer: acreditar no autopoder de fazer algo e produzir um resultado representa um incentivo para agir e perseverar na ação. A percepção de autoeficácia influencia na aceitação ou na rejeição de determinadas tarefas, no nível de esforço empregado nelas e na qualidade do desempenho de quem a executa.
A autoeficácia percebida pode ser formada e mantida (ou deformada e enfraquecida) a partir de quatro variáveis: as experiências diretas com a ação ou tarefa, em que o sujeito pode verificar empiricamente a eficácia de suas habilidades; as experiências vicárias, ou seja, da observação da eficácia de outras pessoas com a ação ou a tarefa; os estados emocionais e fisiológicos, sendo possível tanto que o mal-estar prejudique essa percepção, como que o bem-estar a reforce; e o apoio social.
Nesse contexto, importa a diferenciação entre expectativa de eficácia, que corresponde à crença nas habilidades para produzir a ação, de expectativa de resultado, referente à crença antecipada sobre o resultado da ação. A expectativa de resultado não influencia na percepção de autoeficácia, pois, saber da importância de um resultado não altera o fato de eu me considerar ou não hábil em alcançá-lo.
Também importa diferenciar e relacionar autoeficácia e autoestima que, na vez, se trata de um julgamento dos valores e não das competências. Posso me perceber eficaz na realização de uma determinada ação, como dançar, por exemplo. Porém, não estimo dançar e, dessa maneira, tendo a não me engajar na ação. Do contrário, posso não me perceber auto eficaz para a dança, mesmo que eu a estime enquanto atividade.
A percepção de autoeficácia é de domínio específico, o que quer dizer que se concentra em determinadas atividades, não se estendendo para outras categorias do comportamento. Porém, podem ocorrer processos de generalização da percepção entre ações semelhantes.
A percepção de autoeficácia funciona, também, como uma percepção coletiva. Acreditar na autoeficácia de um grupo em tomada de decisões, aquisição de recursos, elaboração de estratégias e superação de falhas (para citar alguns exemplos), serve de mediação para o esforço e a eficiência de seu membro em determinada ação coletiva. A qualidade da colaboração de um membro de um grupo no uso de recursos, no esforço dedicado às tarefas e na obtenção de resultados varia conforme sua percepção de autoeficácia coletiva.
Bandura desenvolveu o conceito de agência humana. A ideia é a de que toda pessoa gerencia, em algum nível, seu próprio funcionamento e as circunstâncias de sua vida. Sendo assim, o indivíduo não é só um produto do meio, ou apenas um respondente mecanizado, mas é, também, um produtor do mundo em que vive.
A partir da agência, o ser humano é capaz de autorregular o próprio comportamento, pensamento e sentimento. O sentido da autorregulação é sempre uma meta, para a qual o indivíduo desenvolve processos de:
Auto-observação da qualidade, da produtividade, da originalidade, da sociabilidade, da moralidade e dos desvios de padrão;
Julgamento de padrões pessoais, a partir de referências para o desempenho, de valor da atividade e de atribuições causais;
Autorreação, a partir de que o indivíduo pode criar consequecências para si, reforçar ou até punir seu próprio comportamento.
A partir da autorregulação, o indivíduo é capaz de:
Estabelecer objetivos concretos, realistas e avaliáveis para si;
Planejar o uso dos recursos disponíveis para alcançá-lo;
Manter a motivação e a atenção por meio de estratégias conscientes;
Monitorar continuamente o faz, pensa ou sente, se autoavaliando;
Promover modificações necessárias nos objetivos, nas próprias ações e no ambiente;
Reconhecer a necessidade de ajuda de outras pessoas.
Bandura estudou a autorregulação do pensamento moral. Os padrões morais das pessoas são formados de ações que resultam em autovalor e orgulho. Disso deriva a evitação de ações que violem os valores morais e que, portanto, levam à autocensura. No entanto, Bandura fez experimentos e observações que o permitiu notar que as pessoas podem mudar seus padrões morais de acordo com diferentes situações, fenômeno a que foi dado o nome de "engajamento moral seletivo".
Bandura esteve interessado em compreender a expressão da crueldade no ser humano. Sensibilizado com as maldades que as pessoas cometiam umas com as outras na época da Segunda Guerra Mundial, Bandura estudou o fenômeno responsável por fazer com que um oficial do exército nazista fosse tão cruel com prisioneiros judeus, ao passo que seria amável e bondoso com seus familiares no ambiente residencial. Também questionou se toda uma nação de alemães realmente pudesse estar sendo motivada pelos mesmos motivos às crueldades que cometiam com outros grupos étnicos.
O Experimento do Professor de Matemática, conduzido por Bandura, consistiu em sujeitos que eram convidados a participar de um estudo. Ao se candidatarem e serem aceitos, recebiam a missão de interpretar um professor de matemática, que faria perguntas da matéria a um estudante, que também seria algum candidato. Na medida em que o estudante errasse as questões, o professor devia aplicar choques cada vez mais potentes no estudante. Somente assim o candidato poderia ganhar a quantia que lhe seria paga pela sua participação. No entanto, o papel de estudante era sempre conduzido por um ator de terceira idade, que dizia ter problemas cardíacos. O ator, por sua vez, não levaria os choques de verdade, apenas fingiria estar levando-os.
Na sala do experimento, o professor era colocado em uma cabine separado por uma divisória do estudante. Conforme fazia as perguntas e o estudante errava, ele acionava os mecanismos de choque de maneira gradual, do mais fraco ao mais forte. Ao fazer as observações, Bandura pôde notar que a maior parte dos candidatos mantinham os choques, mesmo sabendo do sofrimento e do risco cardíaco do estudante, até níveis que eles próprios consideravam que poderiam causar danos irreversíveis ao sujeito naquelas condições. Porém, cada um demonstrava expressar justificativas diferentes para o comportamento cruel.
Com o Experimento do Professor de Matemática, descobriu-se que a autorregulação do comportamento moral que leva as pessoas a se engajarem seletivamente em comportamentos cruéis ocorreria a partir de determinados mecanismos cognitivos, tais como deslocar a responsabilidade dos acontecimentos ao experimentador, distorcer as consequências ao negar que o estudante estivesse sofrendo ou atribuindo a culpa ao estudante que aceitou e continuou participando do experimento. Desse modo, Bandura pôde descrever os seguintes mecanismos do engajamento moral seletivo em comportamentos crueis:
Justificação moral: o comportamento repreensível é compreendido como correto pelo sujeito;
Linguagem eufemística: o comportamento repreensível é explicado como se fosse algo menos ruim, mais leve e de menor importância do que realmente é;
Comparação vantajosa: o comportamento repreensível é comparado com outro ainda mais repreensível, de modo que, por meio dessa comparação, ele possa ser mais bem aceito.
Deslocamento da responsabilidade: entende-se que o comportamento repreensível e seus efeitos têm uma causa alheia à vontade de quem os pratica; normalmente atribuída a outra pessoa, de maior autoridade.
Difusão da responsabilidade: entende-se que a responsabilidade individual é insuficiente para tornar o comportamento repreensível, uma vez que há outras pessoas que também contribuem para as consequências geradas.
Distorção das consequências: nega-se ou dissimula-se as reais consequências do comportamento repreensível, fazendo com que pareçam aceitáveis.
Desumanização: a vítima é considerada algo diferente de um ser humano, de modo a diminuir a importância das consequências geradas pelo comportamento repreensível.
Atribuição de culpa: a vítima é vista como culpada, ou causadora, dos efeitos ou do comportamento repreensível de quem expressa a crueldade.
De modo geral, para além dos comportamentos cruéis, com a teoria do engajamento moral seletivo, Bandura ajuda a compreender o fato da autorregulação e de sua dependência em relação ao ambiente em que ocorre. O comportamento do ser humano, nesse caso, não pode ser visto como formando padrões únicos para cada indivíduo; pelo contrário, cada indivíduo estabelece mecanismos de autorregulação que se modificam nas mais variadas situações. Desse modo, reforça-se a ideia geral de determinismo recíproco, em que a psicologia do ser humano se baseie na relação triádica entre cognição individual, comportamento e meio ambiente.
Junte-se em uma equipe de entre 3 e 5 pessoas. Cada equipe receberá, do professor, um número. Em seguida, comece discutindo e respondendo, com seus colegas, o caso que corresponde ao número de sua equipe. Depois, continue respondendo aos outros casos, até que o professor peça para parar. Por exemplo: se a sua equipe é a 2, comece pelo caso 2 e responda-o, depois vá para o caso 3 e assim sucessivamente.
Caso 1: saiu pela culatra
Professor Marcos gostava de pedir que seus alunos fizessem trabalhos escritos à mão nas tarefas de casa. Era interessante ver o quanto os alunos aprendiam ao pesquisar sobre os assuntos. Parecia que aproveitavam muito mais do que quando só assistiam ao professor em sala de aula. Porém, os trabalhos eram muito mal escritos e, às vezes, Marcos mal conseguia entender o que escreviam. Sabendo que todos os seus alunos tinham computador em casa, Marcos então os instruiu para que passassem os trabalhos pela correção da inteligência artificial. Contudo, uma parte de seus alunos faltou nesse dia, pois estavam com uma virose. Para repor o conteúdo, de forma apressada, Marcos orientou que esses alunos pesquisassem no Youtube "como revisar trabalho com IA", para que pudessem assim fazer no próximo trabalho a ser entregue. Mas o tiro saiu pela culatra, pois, justamente com essa turma que faltou, Marcos percebeu que os trabalhos estavam cheios de erros, e que as pesquisas haviam sido feitas, também, pela IA. Por outro lado, com aquela que estava na aula, Marcos teve poucos problemas desse tipo.
Questão 1: Nos termos da teoria social cognitiva e, em especial, da modelação: o que pode ter acontecido para que Marcos tenha tido problemas com uma turma, mas com outra não? E o que poderia ser feito para resolver o problema?
Caso 2: medo de prova
Gislaine é uma estudante exemplar durante as aulas. Acontece que, quando ocorrem provas, dessas tradicionais que conferem notas aos estudantes, ela vai muito mal. Os professores sabem que ela sabe, pois demonstra saber durante todo o tempo. Mas, nas provas, a coisa toda muda. Gislaine diz ficar com medo, pois não confia que será capaz de solucionar os problemas formulados pelos professores. Quando algum professor tentava argumentar de que ela sabia tudo, pois ia muito bem nas aulas, ela dizia que há muito tempo suas notas não eram boas e que, desse modo, eles estavam enganados. Certo dia, a mãe de Gislaine foi chamada para ir à escola conversar sobre o assunto. Na ocasião, Márcia, mãe de Gislaine, disse que havia se separado recentemente do pai, que era uma pessoa agressiva e chamava a menina de burra, por tirar notas baixas.
Questão 2: Nos termos da teoria social cognitiva e, em especial, da percepção de autoeficácia: que problema afeta Gislâine com as provas? Quais podem ser as causas desse problema? E o que poderia ser feito para resolver o problema?
Caso 3: a culpa é do Marquinhos
Em uma escola, os pais dos estudantes de um sétimo ano fizeram um abaixo assinado para que a escola expulsasse Marquinhos. De acordo com eles, o menino não deixava seus filhos estudarem. De fato, muitas dessas crianças iam mal nas atividades. Mas, conversando com os professores da turma, a coordenadora Rosângela viu que a experiência era diferente. Os professores relataram que o menino era de fato um pouco bagunceiro. Era repetente, mais velho que as outras crianças, e tinha a mania de brincar muito e até de envolver os mais quietos em suas brincadeiras. Porém, de modo algum, ele parecia ser culpado por qualquer mal rendimento das outras crianças. Essas, que tiravam notas baixas, pelo contrário, participavam muito pouco das aulas, até menos que o próprio Marquinhos. Estavam sempre demonstrando pouco interesse no conteúdo e nas atividades, e até deixavam de entregar tarefas de casa. Com isso, Rosângela teve a missão de explicar para os pais que o Marquinhos não tinha nada a ver com o baixo rendimento de seus filhos, mas não poderia fazer isso sem apresentar uma explicação e uma proposta de resolução do problema.
Questão 3: Nos termos da teoria social cognitiva e, em especial, da agência humana: como Rosângela poderia explicar o baixo rendimento dos estudantes? E que estratégia a coordenadora poderia propor para melhorar o rendimento dos estudantes?
Caso 4: anjo em casa, capeta na escola
Bruno era considerado um dos alunos mais problemáticos da escola. Agressivo, Bruno insultava colegas e professores da escola, ao ser contrariado. Se metia em brigas nos intervalos, às vezes, até com crianças mais velhas que ele. Às vésperas de uma reunião com os pais, os professores então se organizaram para elaborar o que iam dizer sobre Bruno. Ele era um aluno novo na escola e, dessa maneira, a equipe mal conhecia seus pais, o que tornava a situação delicada. Na ocasião da reunião, contudo, os pais se mostraram pessoas compreensivas e simpáticas, porém, relataram uma outra experiência com o menino. Disseram que, em casa, Bruno era um "anjo" de criança e não demonstrava qualquer indisciplina. Ficaram, inclusive, surpresos, pois nunca haviam recebido reclamações de Bruno antes. Com mais conversas, viu-se que Bruno vinha de uma escola militar, em que o comportamento dos alunos era medido e punido na régua. Porém, nesta nova escola, outros alunos eram tão agressivos quanto Bruno. Bruno, então, foi chamado e, junto aos pais, declarou que, nas ocasiões de conflito, ele não se via como errado, pois, além de muitas outras pessoas agirem de maneira pior do que ele, às vezes a culpa era de quem o provocava.
Questão 4: Nos termos da teoria social cognitiva e, em especial, do engajamento moral seletivo: que mecanismos cognitivos podem estar atuando na maneira agressiva como Bruno age na escola? E o que poderia ser feito para resolver o problema?